desabafos (im)possíveis XIV

o poema com história do Rafael recordo,
ou a história do poema do Rafael,
o menino da oficina de poesia para crianças,
de todos o menino mais envergonhado,


pedra_________________________tu

# 131


Uma palavra
- uma pedra
num rio frio.
Mais outra pedra -
Tenho que ter mais pedras
se vou atravessá-lo.

Olav H.Hange

(Versão de LP, a partir da tradução espanhola de Francisco J. Uriz,
reproduzida em Tres poetas noruegos, tradução e selecção de F. J. Uriz,
Libros del Innombrable, Saragoça, 2002, p.79).

“ I have always noticed that in portraits of really great writers the mouth is always firmly closed. ”

Gertrude Stein

Escrito de Aquilino Ribeiro,encontrado na Ilustração Portuguesa.…são dignas de menção as Bolsas de Viagem que permitem ao escritor,munido de passaporte diplomático, investido oficialmente da embaixada intelectual, ir devassar o mundo.

Escrito de Aquilino Ribeiro,
encontrado na Ilustração Portuguesa.

…são dignas de menção as Bolsas de Viagem que permitem ao
escritor,
munido de passaporte diplomático, investido oficialmente da
embaixada intelectual, ir devassar o mundo
.

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Like Louie Armstrong played the trumpet
I’ll hit that bong and break off


Insane In The Membrane
, by Cypress Hill.

Por Ana Galvañ.

Por Ana Galvañ.

A Flávia, mãos de fada, devolve-me os livros assim: protegidos por um Botão.

A Flávia, mãos de fada,
devolve-me os livros assim:
protegidos por um Botão.

desabafos (im)possíveis XIII

levo tudo muito à letra, digo-me, é sabido. se me dizes de madrugada, amanhã, entendo mesmo amanhã, não hoje. falta-me a poesia doméstica, talvez. realizaram-me uma TAC há cerca de duas horas, a marquesa movível transportou-me para uma máquina com formato de um donut que permite captar imagens em muitos ângulos diferentes, fornecendo a imagem como uma fatia de pão, ou seja, o miolo. foram €18.80 (dezoito euros e oitenta cêntimos). levo tudo muito ao número.

Poética da ViolênciaPerdi a mão
À Senoite, de Paulo Pego.


Poética da Violência

Perdi a mão



À Senoite
,
de Paulo Pego.


# 130


Isto chegou a tal ponto que eu, no ofício das letras, só dou valor à
carne selvagem, à excrescência maluca:
Está ferido até ao osso
Todo o desfiladeiro com o gemido do falcão -,

é disto que eu preciso.
Subdivido todas as obras da literatura mundial em: autorizadas, e
escritas sem autorização. As primeiras são merda, as segundas são ar
roubado. Aos escritores que escrevem o notoriamente autorizado quero
cuspir-lhes na cara, bater-lhes com uma moca na cabeça, sentá-los
todos à mesa na Casa Herzen, pôr um copo de chá policial em frente
de cada um, e obrigá-los a segurar nas mãos a análise de urina de
Gornfeld.



Ossip Mandelstam,

Guarda minha fala para sempre
Trad. por Nina Guerra e Filipe Guerra

Mary and Max,
The Musical Typewriter.

Desenhei com íssima luz nas prateleiras do supermarket.
Eis a mnemónica para a paragem obrigatória, hoje, num PD próximo para colher um também.

Desenhei com íssima luz nas prateleiras do supermarket.

Eis a mnemónica para a paragem obrigatória, hoje,
num PD próximo para colher um também.

Desenhado com íssima luz, em Coimbra-B,na passada manhã de domingo.
Maria Antonieta leva este desenho com luz a passear pelo mundo.A Autoria da graffiti wall, desconhecemo-la. Seja qual for, é das muito boas.

Desenhado com íssima luz, em Coimbra-B,
na passada manhã de domingo.







Maria Antonieta leva este desenho com luz a passear pelo mundo.
A Autoria da graffiti wall, desconhecemo-la. Seja qual for, é das muito boas.

Maria Antonieta desenhava-me com luz aquando a passeata Inside: Arte e Ciência.Dialogava com as letras de Suzanne Anker, em silêncio.

Maria Antonieta desenhava-me com luz aquando a passeata Inside: Arte e Ciência.
Dialogava com as letras de Suzanne Anker, em silêncio.

Seeder por Morfai , publicado, em 2008, no Bolas de Sabão Pragmáticas.




# 129


As estrelas também gostam de brincar
às escondidas
A maioria das vezes escondem-se umas atrás das outras
ou nas imediações de um quasar
Mas não há melhor lugar
para uma estrela se esconder
que num buraco negro
Elas vêm as outras
e ninguém as consegue ver

Jorge Sousa Braga,
Pós das Estrelas